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ATIVIDADE PROFISSIONAL PÓS- 40 ANOS

Profissional maduro volta ao mercado


Participação dos maiores de 40 na população ocupada aumentou 1,1 ponto percentual em 2006, aponta IBGE
Há vagas para maiores de 40 anos. A participação deles na população ocupada aumentou 1,1 ponto percentual em 2006 em relação ao ano anterior. Passou de 39% em 2005 para 40,1% em 2006. No Sudeste, o aumento foi de 1,4 ponto percentual frente a 2005. Nas demais regiões, ficou em torno de 0,9 ponto percentual. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE.
"A estrutura etária da população registra redução na faixa de menores de idade no mercado de trabalho e crescimento no universo dos que têm mais de 40", explica a pesquisadora do órgão, Vandeli Guerra, 62. A proporção da faixa de 40 a 49 anos de pessoas ocupadas passou de 76,5% para 77,3% na última pesquisa. De 2005 para 2006, o número de pessoas ocupadas cresceu 2,4% em todo o país, ou seja, entraram no mercado de trabalho mais 2,1 milhões de pessoas.
Em todas as regiões, o grupo das mulheres com 11 anos ou mais de estudo representava o maior contingente na população feminina ocupada. Entretanto, para os homens, esse resultado só foi encontrado nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste. A maré alta de contratações tem no empresário Luis Eugênio Torres, 41, um exemplo. Ele chegou a contratar 300 funcionários com mais de 40 em diversos empreendimentos.
Dono do restaurante Amadeus, na Savassi, gosta da maturidade, da falta de impulsividade, da constância e do comprometimento dessa faixa etária (de 41 até 62). Ele já serviu a mesa de Roberto Carlos, Pelé, Juscelino Kubistchek e um sem número de anônimos. De faxineiro de restaurante a maitre, Bert Mário de Morais, 60, disse construir um alicerce sólido imune às intempéries do mercado.
"Fiquei desempregado o tempo que eu quis, somente 20 dias", conta o vovô de três netos, empolgado. Com 42 anos de experiência, ele ganha R$ 2.500 na jornada de até 15 horas por dia no restaurante Amadeus. Bert Mário foi auxiliar de copeiro, comi (auxiliar de garçom), garçom e chefe de fila (que é o auxiliar do maitre). Nos anos 70, viveu os bons tempos da churrascaria Minuano, quando "Sarney pedia churrasco de filé mignon e a picanha ainda não era a carne preferida."
Quarentões são bem aceitos por empresas e clientes
Os clientes estão mais flexíveis quanto à faixa etária. A frase animadora é de Robson Fonseca Barbosa, 32, gerente da área de projetos da Selpe, empresa de consultoria em Recursos Humanos. “Nos últimos dois meses, fechamos 110 posições, sendo 40 delas para trabalhadores acima dos 40 anos”, comemora. A maior demanda concentra-se nas áreas de vendas, construção pesada, indústria de celulose, automobilística e alimentícia.
O grupo Selpe registrou incremento de 120% de vagas de janeiro a julho de 2007 em relação ao mesmo período de 2006 e pelo menos 30% foram para a faixa etária superior a 40 anos. Os salários podem variar de R$ 1.400 até R$ 15 mil para executivos de alta gerência. Na década de 90, o profissional “tiozão” ficava até seis meses sem emprego. Agora, o período de “incubação” não ultrapassa três meses de ausência do mercado.
Experiência
Luiz Antônio Rodrigues, 46, diretor da Lar Imóveis, prefere contratar corretores com mais de 40 porque são mais experientes. A maioria do quadro de funcionários (80%) de sua empresa já passou dos 40 e é formada por mulheres, segundo ele mais dedicadas ao trabalho. E a prova viva de que a idade não é obstáculo para quem deseja regressar ao mercado está na atitude de Nilton Vasconcelos Júnior, 59.
O ex-médico veterinário deu uma guinada na carreira e acabou virando corretor da Lar Imóveis há quatro anos. Ele não se arrepende da decisão. “Se você tiver boa vontade, interesse e vestir a camisa da empresa, você consegue tudo”, ensina. Uma boa dica para quem quer fugir do fantasma do desemprego.
Experiência conta no currículo
“Bom senso é a qualidade principal numa pessoa de 40 e isso ninguém compra.” A constatação é de Maria Celeste Franco, 70, coordenadora pedagógica da Cultura Inglesa em Belo Horizonte. Há 33 anos no mesmo emprego, ela sabe que os quarentões engolem mais “sapo” porque já possuem a sabedoria da tolerância e entendem que nem sempre as coisas são como eles querem. Quem está acima de 40 pode se dedicar à carreira, é mais disciplinado, flexível, “já passou por experiências que não foram muito boas e largou empregos na impulsividade”, avalia.
A experiência em contratar professores há mais de dez anos mostrou a Maria Celeste que o profissional mais experiente coloca tudo na balança e discute melhor os problemas. E, é claro, a empresa avalia a fluência na língua e a inteligência interpessoal. “A pessoa não pode se vender muito”, alerta. Isso implicaria passar uma imagem equivocada. A Cultura Inglesa tem 65 anos em Belo Horizonte, com 6.500 alunos. Dos 150 professores, um terço tem mais de 40. São dez unidades da escola e, em dezembro, vai haver seleção.
Mas é preciso mandar currículo até o final do mês. Para quem tiver interesse e boa fluência no inglês, o telefone é 3264-2500. Débora Galvão, 41, é professora de inglês da Cultura e já arriscou um pouco na vida. Mãe de Alice, de 6 anos, a professora trabalhou em várias unidades da empresa no país desde 1987. Resolveu trabalhar na área de treinamento de executivos em São Paulo e retornar à terra natal por questões familiares. Voltou, sem emprego, com mais de 40, teve medo de ficar à deriva das contas infindáveis.
“Fiz questão de estudar muito, estar atualizada, para não ficar fora do mercado”, ensina. Para ela, a única arma para o profissional acima de 40 é a experiência. Débora Galvão sempre mudou porque apareceram situações interessantes, mas o “casamento” com a Cultura Inglesa foi uma união feliz e ela teve a sorte de retornar ao antigo local de trabalho em pouco tempo. Hoje, os rendimentos da professora de inglês oscilam entre R$ 2.000 e R$ 3.000.  (HELENICE LAGUARDIA - O Tempo-07.10.2007)


Cultura, está relacionada ao modo de ser e de viver dos grupos sociais: a língua, as regras de convívio, o gosto, o que se come, o que se bebe, o que se veste vão formando aquilo que é próprio de um povo. Cultura é a forma de expressar de um povo. Dica


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